Por que fazer terapia?

Ainda hoje convivemos com duas tendências em relação à psicoterapia.

Por um lado, há o preconceito de que procurar por um(a) psicólogo(a) é “só para quem tem problemas graves”. Por outro, ainda é muito comum ouvirmos que “todo mundo deve fazer terapia”.

Ao nos questionarmos se nós ou as pessoas com quem convivemos se beneficiaria com a psicoterapia, precisamos em primeiro lugar entender como esse tratamento pode auxiliar.

De modo geral, as pessoas buscam por um(a) psicólogo(a) para obter auxílio profissional em relação a algum problema específico, e ao fazer terapia percebem outros inúmeros ganhos, como crescimento pessoal e melhora na qualidade das relações, além de um momento para se dedicar a si e de refletir sobre diferentes aspectos da vida.

Durante o processo terapêutico, psicólogo(a) e cliente buscam juntos, entender o contexto no qual as dificuldades ocorrem, questionando o que pode ser feito em prol da mudança, que não costuma ser fácil, pois o(a) cliente precisa identificar o que ele está disposto a assumir e enfrentar.

Nesse sentido, a psicoterapia é uma prática que visa o questionamento, pois o indivíduo passa a indagar sobre seu papel no mundo, o que ele pretende arcar para o bem dele e de suas relações, ou seja, para o bem individual e coletivo do meio em que vive.

Como a psicoterapia pode ajudar?

Em primeiro lugar é importante saber que o(a) psicoterapeuta tem por objetivo identificar as experiências de vida (passadas e presentes) que contribuem para a manutenção do problema apresentado pelo cliente, quais são seus efeitos, e o que precisa ser modificado para que o indivíduo desenvolva comportamentos que visem à diminuição ou alívio do sofrimento em questão e melhor qualidade de vida.

Além disso, alguns aspectos interferem diretamente para que o tratamento seja efetivo e a psicoterapia possa contribuir na resolução dos problemas:

  • A adesão do cliente é item fundamental para o sucesso do tratamento, em geral clientes que buscam psicoterapia por conta própria se mostram mais engajados e motivados a mudar;
  • O funcionamento da psicoterapia deve ser sempre discutido, para que as expectativas do cliente estejam condizentes com a realidade do tratamento;
  • Também é necessário que a(o) psicóloga(o) esteja envolvida(o) no processo, com propriedade e disponibilidade para acolher cada demanda;
  • O vínculo terapêutico move o tratamento, por isso uma relação empática, de confiança e abertura para ajudar e receber ajuda é fundamental.

Assim, a psicoterapia pode – mas não se limita – a auxiliar pessoas com algum tipo de sofrimento. Qualquer pessoa pode se beneficiar da psicoterapia tanto para a solução de problemas, como para a prevenção deles, na medida em que identifica o que controla suas dificuldades e desenvolve seu autoconhecimento.

As motivações para buscar contribuições do trabalho de um(a) psicólogo(a) clínico(a) são bastante pessoais e variam muito. Por isso, cada atendimento é único e depende de demandas de cada um, como melhora dos relacionamentos interpessoais, auxilio na educação/desenvolvimento dos filhos, sofrimento emocional, entre outros.

Um caminho possível é buscar ser sincero(a) com seus questionamentos, não lidar com o sofrimento de maneira isolada e conhecer os serviços de saúde mental qualificados que podem ajudar na busca por uma melhor qualidade de vida.

É importante que a pessoa busque apoio profissional diante das condições que possui. No caso dos serviços psicológicos, existem as clínicas particulares e profissionais autônomos, mas também é possível acessar tanto as instituições públicas, como Ambulatórios de Saúde Mental, quanto os serviços escolas ofertados pelas universidades de psicologia. Comumente, os contatos podem ser encontrados através de indicações de pessoas conhecidas, por intermédio dos próprios profissionais ou pela internet.

Vale lembrar que existem diferentes abordagens psicológicas, mas o essencial é que o(a) profissional ao receber a demanda esteja capacitado(a) pessoal, teórica e tecnicamente de modo que a intervenção tenha início, meio e fim, estando de acordo com o código de ética profissional e contemplando os direitos da pessoa atendida.

Sobre a autora:

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Sarah Faria Abrão Teixeira

Psicóloga pela UNESP/Bauru. Com especialização em Terapia Comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR- Campinas). É atualmente psicóloga clínica no atendimento de crianças e adultos e Conselheira XVI Plenário do Conselho Regional de Psicologia de SP.

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