Final de ano, período de estresse

Nesta época, é comum as pessoas se sentirem estressadas pelo excesso de trabalho, metas não fechadas e o planejamento de novos projetos para o próximo ano. Veja como é possível prevenir a sua ocorrência

Stress, stressed, workflow.Estresse, palpitação, excesso de suor, ansiedade, fadiga e sensação de impotência. O que estas sensações podem ter em comum? Todos estão ligados a um conjunto de sintomas que comumente atingem pessoas que possuem uma rotina exaustiva de trabalho, com muitas atividades, responsabilidades e compromissos para gerenciar.

Estes sintomas costumam cobrar caro do corpo, tanto na parte física, quanto na psicológica. Mas, como evitar ser pego, principalmente, pelo estresse? Nada mais oportuno do que a proximidade do final do ano, época em que se renovam as energias e a esperança de dias diferentes, para avaliar como a rotina vem sendo responsável por este estafa.

Mas, o que é estresse? A psicóloga Roberta Miguel Green, do Instituto de Análise do Comportamento de Bauru (IACB), explica as suas principais. “O estresse é entendido como um estado de desequilíbrio orgânico, devido a diversas mudanças bruscas que podem ser interna ou externa ao indivíduo, o que demanda energia física, mental e social da pessoa para se adaptar, podendo gerar uma dificuldade do próprio organismo em acompanhar tais mudanças e a consequente adaptação a elas”, detalha.

O trabalho é considerado a principal causa do estresse, ponderando que no ambiente profissional, as pessoas são colocadas a enfrentar mudanças repentinas de processos e cobrança por resultados, nem sempre alcançáveis.

Roberta Miguel Green, psicóloga do IACB

Roberta Miguel Green, psicóloga do IACB

“Muitas pessoas vivenciam essa pressão ao longo de todo ano, por conta da intensa rotina de trabalho e administração de outros contextos como, estudo e família. Mas o final do ano costuma ser um momento em que ocorre uma sobrecarga de atividades a serem finalizadas tanto no contexto profissional, como na vida pessoal.  Metas para serem alcançadas, planejamentos a serem concluídos e contas que precisam fechar, são estímulos que podem assumir um valor aversivo nesse contexto de finalização do ano. Nesse momento, é necessário um olhar atento para o contexto de sobrecarga, pois eles podem contribuir para o aumento do estresse e gerar outros prejuízos de ordem emocional, como transtornos de ansiedade e depressão”, explica Roberta.

Sensação de esgotamento

No calendário, é apenas mais um dia. Mas a data 1º de janeiro representa, psicologicamente, o início de um novo ciclo. A questão está na administração da carga exaustiva que as pessoas carregam do ano anterior, para que este novo ano possa realmente ser diferente do anterior.

“É justamente no final do ano em que as pessoas começam a se preparar para iniciar novos projetos e renovar as expetativas para o ano seguinte. Dessa forma, as pessoas se sentem mais ansiosas, mais tensas e sobrecarregadas, e é comum a sensação de esgotamento e estresse, especialmente porque já foram feitas tentativas de dar conta das exigências pessoais e culturais de diversas experiências que foram vivenciadas ao longo do ano”, diz a psicóloga.

Roberta passa algumas recomendações para lidar com esta ansiedade e o cansaço excessivo. “As pessoas podem fazer uma auto-observação e identificar quais são as reais prioridades a serem concluídas no dia a dia, o que de fato precisa ser finalizado e, especificamente, nesse ano. Uma forma de fazer essa análise pode ser através da ponderação dos benefícios e prejuízos a curto e longo prazo das atividades, avaliando o que deve ser prioridade e o que pode ficar para depois”, orienta.

Outra possibilidade é buscar reservar diariamente minutos de relaxamento, como por exemplos, prestar atenção na respiração por 1 minuto e se propor a fazer uma respiração mais profunda, sentindo toda a inspiração e expiração do ar. “Esse pode ser um recurso precioso para a oxigenação do cérebro e regulação dos batimentos cardíacos, proporcionando ao organismo uma sensação de relaxamento, calma e bem estar. Nesse estado de tranquilidade, é possível contemplar as opções de escolhas possíveis com mais clareza”, aconselha a psicóloga.

Endorfina para a cabeça

Tudo que fica parado pode enferrujar, como por exemplo, o sedentarismo. E essa ‘ferrugem’ física colabora para o esgotamento mental, que leva aos episódios de estresse. A atividade física, além de contribuir para a boa forma, auxilia o nosso cérebro a ficar mais ‘feliz’.

“O exercício físico promove diversas adaptações em nosso corpo. Uma delas é a liberação de Endorfina, que proporciona uma sensação de prazer parecida quando comemos um chocolate. A liberação desse hormônio ajuda a diminuir significativamente o estresse”, explica o fisioterapeuta Felipe Alavarce, do Instituto Alavarce de Reabilitação da Coluna (IARC).

Roberta Green comenta também que outras substâncias químicas naturais são liberadas durante a atividade física, essenciais para o bem estar psicológico. “A prática contínua de atividade física é um fator de proteção para o individuo que se sente estressado e cansado excessivamente, pois contribui também para a produção de Dopamina e Serotonina, que podem garantir o bem estar”, detalha.

Estresse = dores na coluna

O desgaste físico e mental causado pelo excesso de trabalho pode refletir diretamente na saúde da coluna. “O estresse é equivalente a uma agressão contínua, que diminui a capacidade do corpo em reagir às doenças. Para que se tenha uma ideia, quando um indivíduo passa por um estresse agudo, seu sistema imunológico fica totalmente alterado, funcionando de forma deficitária, sendo que só voltará ao seu equilíbrio após oito horas do episódio estressante”, explica Felipe Alavarce.

O fisioterapeuta avalia que o estresse contínuo do trabalho, aliado à má posição laboral por 10, 12, 14 horas de trabalho diário, pode ser considerado um dos principais causadores da Hérnia de Disco, lombalgias e cervicalgias.

Para evitar ser pego pelas dores e incapacidade física, Alavarce recomenda algumas orientações para prevenir as dores na coluna: Adaptação do posto de trabalho; Ginástica Laboral; períodos de intervalos a cada uma hora; mudanças de posições para efetuar as atividades laborais; procurar terapias preventivas como: exercício físico (pilates, musculação, natação) e terapias manipulativas (quiropraxia e osteopatia).

“Para minimizar as dores e aliviar a tensão, as pessoas devem manter-se ativas, esse é o objetivo. Quanto mais ativa a pessoa for, mais saúde terá. O corpo não foi feito para ficar parado, por isso movimente-se, faça, pratique e nunca pare de se movimentar, esse será seu melhor remédio contra as dores e o estresse”, aconselha o fisioterapeuta.

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